Autor: universidagaj Page 4 of 6

Por que as cobras têm cores diferentes?

A Caroline de 11 anos e estudante do Centro Pedagógico da UFMG nos fez esta pergunta: Por que as cobras têm cores diferentes? Quem responde essa para gente é o professor Jaime Bertolucci, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Universidade de São Paulo, Piracicaba:

“A cor tem muitas funções nos animais, como, por exemplo, a comunicação e a camuflagem. A maior parte das cobras se defende de seus predadores se camuflando no ambiente, isto é, elas desenvolvem cores que atrapalham que outros animais as enxerguem. é por essa razão que muitas cobras que vivem em árvores são verdes, e que as cascavéis e as jararacas têm um padrão amarronzado, o que faz com que elas fiquem praticamente invisíveis entre as folhas secas.”

Legal, não é?

Por que a gente sonha?

Você sonha muito? Ou sonha pouco, mas já parou para prestar atenção nas coisas bizarras, estranhas, interessantes e bonitas que vemos quando estamos de olhos fechados? Sabia que o significado dos sonhos são objeto de estudo da Psicologia, da Psicanálise e da Neurologia? Você já parou para se perguntar em como a gente tem sonhos? Por que a gente sonha?

Quem pergunta são o João Gabriel e a Inara, de Caeté, e o Matheus, que enviou a pergunta pelo site. Quem responde é a Fabiana Cassiano, aluna de Medicina da UFMG, e a professora Leonor Bezerra Guerra, do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG:

“Quando a gente dorme, sonha com várias coisas, que nem sempre têm muito sentido, não é mesmo? E por que isso acontece? Para entender isto, é preciso saber o que acontece com o nosso corpo enquanto a gente dorme.

O nosso sono se modifica ao longo da noite: os quatro primeiros estágios são chamados de sono de ondas lentas. Nessa fase inicial, a atividade das células nervosas, os neurônios, diminui gradativamente.  A freqüência cardíaca e a respiração, assim como a pressão arterial e a temperatura, também ficam mais baixas.

Mas é no próximo estágio que os sonhos acontecem. Neste estágio, apesar de estarmos profundamente relaxados, a atividade dos neurônios é intensa, semelhante àquela que temos quando estamos acordados. Os nossos olhos movem-se rapidamente debaixo das pálpebras. Os batimentos cardíacos, a respiração, a pressão arterial e a temperatura ficam irregulares. Nesse momento, nossos neurônios funcionam livremente, sem a regulação imposta pelos estímulos do ambiente, sem precisar responder a tudo o que acontece à nossa volta.

é esse funcionamento livre dos neurônios que gera os sonhos. Os sonhos misturam ou relacionam experiências diferentes que tivemos, em tempos, locais e com pessoas diferentes. O pensamento, no sonho, é livre.”

Interessante, né?

Por que a gente boceja?

O Joaquim e a Brenda moram em Caeté, Minas Gerais, e estavam com essa dúvida! O Rodolfo Duarte Nascimento é doutorando em Biologia Celular pela UFMG e nos ajudou a responder! Olha só:

O bocejo é uma ação involuntária na qual abrimos a boca e respiramos fundo. Isso acontece com humanos e outros animais. Muitos dizem que o bocejo tem uma relação com o sono, e é verdade! O sono gera a diminuição do metabolismo, e o bocejo tem a função de driblar isso.

Quando bocejamos, inspiramos grande quantidade de ar oxigenado e expiramos o excesso de dióxido de carbono. Assim, ocorre aumento da oxigenação sanguínea e diminuição da temperatura corporal, logo, aumentando o nosso estado de atenção. Isso também explica o ato das pessoas bocejarem quando estão em grupos. Muitas pessoas num determinado ambiente fazem a concentração de dióxido de carbono aumentar, assim, o nosso corpo utiliza o bocejo para conseguir mais oxigênio e eliminar o excesso de dióxido de carbono.

Agora que você já sabe, pode explicar para seus amigos!

Por que a galinha faz có?

Para responder a pergunta da Maria Luiza, que é lá de Campinas, São Paulo, o Universidade das Crianças resolveu fazer uma brincadeira: A Maria Carolina Alves, uma das nossas ilustradoras, respondeu a pergunta e a Bruna Dias, que normalmente é uma das responsáveis pelos textos, fez a ilustração! 

Oie, Maria Luiza . As galinhas são comunicativas e inteligentes. Como os humanos, elas possuem a capacidade de se comunicarem entre si e isso resulta nos sons que escutamos  por aí. Elas possuem uma linguagem própria, como o tão conhecido “có”. A galinha pode emitir sons que podem chegar até a 30 tipos de expressões podendo ter diversos significados dentro da  sua comunidade. Os sons produzidos estão relacionados ao seu ambiente com o intuito de informar para as outras galinhas o que está acontecendo. A conversa diária das galinhas podem conter expressões de alerta, estresse ou estar relacionada a alguma paquera.  O cacarejo que conhecemos é a voz da galinha e esse ruído sempre vai ter um significado para o galinheiro. Quando a galinha acaba de colocar um ovo ela faz um barulhão avisando para todos o que acabou de acontecer. Isso é bem legal, não é Maria? Elas são bem espertas e  além do som podem também se comunicar visualmente. Os cientistas dizem que as galinhas possuem uma comunicação de acordo com sua necessidade, ou seja, existe um som específico para cada situação.

O choque da água-viva pode matar?

A Thaís tem 9 anos, mora em Belo Horizonte (MG) e estava bastante curiosa sobre as águas-vivas. O professor Alfredo H. Wieloch, do Departamento de Zoologia no ICB/UFMG respondeu à esta pergunta.

O “choque” recebido ao se ter contato com esse animal, na verdade é resultante de uma dor aguda, semelhante à um formigamento. Isto acontece porque a água viva tem um filamento que penetra na pele da presa e através dele é injetada uma toxina, ou seja, uma proteína tóxica é como se ela estivesse aplicando uma injeção de toxinas na presa.

Existem vários tipos de toxinas, sendo que os efeitos mais graves são provocados pelas neurotoxinas. Estas afetam nosso sistema nervoso, ou seja, afetam nossos neurônios que são as células que comandam todos os nosso órgãos. Assim, elas podem causar parada cardíaca, respiratória e morte, caso a quantidade de neurotoxina inoculada seja grande e a vítima não receba cuidado médico adequado e imediato. Mas, esses casos são raros, e são relatados não aqui no Brasil. Eles acontecem principalmente em praias do oceano Pacífico, onde existe uma grande quantidade de águas-vivas.

Felizmente as espécies de águas-vivas encontradas no litoral do Brasil não parecem produzir grandes quantidades de neurotoxinas. Elas produzem principalmente um outro tipo de toxina que provoca na pessoa uma sensação de formigamento, formação de bolhas e erupções na pele, um quadro semelhante a uma queimadura de segundo grau.

O contato dos tentáculos da água-viva com grandes extensões da superfície da pele faz com que os sintomas sejam mais intensos e nesse caso a vítima pode apresentar dores abdominais, calafrios, febre e diarréia. Por isso, muito cuidado com as águas-vivas. E se acontecer um acidente corra para o médico!

É verdade que existe cobra que come boi? Qual o nome dela?

Sim, é verdade! E um exemplo é a sucuri, também conhecida como anaconda, que é a maior cobra do mundo e chega a medir 9 metros de comprimento. Quando adulta ela consegue engolir um boi ou, pelo menos, um bezerro.

As sucuris passam boa parte do tempo na água e podem atacar animais que visitam os rios para beber água.

É verdade que as cobras enxergam mal?

Vejam só que interessante essa resposta do Prof. Jaime Bertolucci, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Universidade de São Paulo, Piracicaba. “As cobras, como todos os outros animais, estão bem-adaptadas ao seu ambiente e ao seu estilo de vida. Assim, as espécies subterrâneas enxergam mal enquanto algumas espécies que vivem em árvores têm uma visão mais desenvolvida e até percebem as cores muito bem.

Apesar disto, as cobras utilizam muito bem os outros sentidos para perceber o ambiente. As serpentes, por exemplo, têm um olfato excelente. Muita gente acha que quando uma cobra coloca a língua para fora ela está ameaçando. Só que não é isso que acontece, quando uma serpente dardeja a língua do ar, ou seja, põe a língua para fora, ela está apenas captando partículas que vão ser percebidas dentro da boca pelo chamado órgão vomeronasal. Algumas serpentes, como a cascavel, a jararaca e a urutu, são capazes de perceber a presença de uma presa sem vê-la, sentindo apenas o calor que vem do seu corpo.

Essa pergunta foi ilustrada por Bruno Sommerfeld.

De que são feitos os dentes?

Aposto que você já ouviu falar nos nomes de alguns componentes dos dentes: cálcio, sódio e potássio.  Quem nunca já ouviu sua mãe, pai, avó ou avô dizer “Tem que tomar leite para ficar com os dentes bonitos”? é que o leite é muito rico nesses elementos.

Agora veja só: o dente não é só essa parte que você consegue ver. Além de ter várias camadas diferentes dentro dele, o dente é muito maior lá dentro da sua gengiva. Olhe seus dentes na frente do espelho. Essa parte branca que você vê é chamada de coroa. Ela é formada por três camadas diferentes. A camada mais externa, que é a que você está vendo, é o esmalte, que é formado, dentre outras coisas,  por cálcio, sódio, potássio, água e algumas proteínas.

Mas se você fizer um furo no seu dente (por favor, não faça isso!), depois do esmalte você vai encontrar a dentina. Ela também tem sais inorgânicos e é muito dura, só que um pouco menos que o esmalte. Mais lá dentro, tem a polpa. Nela tem vasos sanguíneos e as terminações nervosas. Não sei se você sabe, mas no seu dente tem células vivas também e o alimento para elas chegam pelos vasos sanguíneos.

Ah, e o que fazem essas terminações nervosas? São elas que dão a sensibilidade ao dente. Já reparou que quando você toma uma sopa muito quente ou um sorvete super gelado você sente aquela dorzinha chata? é porque lá na polpa as terminações nervosas mandam essa mensagem de dor pro seu cérebro.

E lá dentro da gengiva? Bom, seu dente precisa ser preso de alguma maneira, não é? E assim como uma árvore se prende ao solo através de uma raiz, seu dente também tem raiz para se prender ao osso. E tem mais, essa raiz se prende ao osso através do cemento, que é a parte mais macia da estrutura do dente.

DE ONDE VEM O ARROTO?

“Buuurp!”

Para a gente, arrotar é bem chato não é mesmo? Provavelmente sua mãe já deve ter te falado que é falta de educação também. Mas sabia que existem culturas, como a chinesa, em que arrotar depois das refeições sinaliza que a comida estava boa? Interessante, não?

Bom, e você sabia que o nome científico para o arroto é “eructação”? Isso mesmo! E foi sobre isso que o Rinaldo Júnior, de 10 anos, e o Mateus, de 11, ambos moradores da Serra do Cipó, nos fizeram uma pergunta: “como é formado o arroto?”

Quem ajudou na resposta foi a Fernanda Nunes, aluna de Medicina da UFMG. Ela diz que o arroto não é nada mais que expelir gases pela boca.

O que acontece é o seguinte: o ar e os alimentos entram no nosso corpo por caminhos diferentes. O ar passa pelo nariz (ou pela boca) e atravessa um tubo até chegar aos pulmões. Já o que comemos começa a descer por esse mesmo tubo, mas depois passa para um outro, chamado esôfago. Do esôfago, a comida segue para o estômago e depois para os intestinos delgado e grosso. Mas isso não acontece sempre: “às vezes, o ar pega o caminho errado e vai parar lá no estômago. Isso acontece quando estamos comendo e falando ao mesmo tempo ou também quando bebemos um refrigerante cheio de gás”, explica Fernanda.

E o que acontece com esse ar ou gás? A aluna explica que “se esse gás está no lugar errado, ele deve sair. Aí ele pega o caminho contrário até a boca e a gente arrota”.

E o barulho esquisito, vem de onde? Fernanda diz que o ar, quando passa outra vez pelo esôfago, provoca uma vibração lá dentro, fazendo as paredes desse tubo tremer. E é isso que dá origem a esse som tão estranho!

COMO SURGIRAM AS PALAVRAS?

Você acorda, sente fome, vai à padaria buscar uns pãezinhos e cumprimenta o caixa com um “bom dia!”. Todos os dias pela manhã, certamente muita gente também faz isso na Malásia, na Argentina e na Austrália. E muito provavelmente elas também dizem “bom dia!” – só que usando outras palavras. E você? Já reparou que as pessoas usam formas diferentes de dizer a mesma coisa dependendo do lugar onde estão?

Já parou para se perguntar de onde as línguas vieram? Será que todas elas têm um ancestral comum? Para citar a dúvida da Júlia, que tem 10 anos e mora em BH, “como surgiram as palavras?”. Sobre essa pergunta nada simples e muito interessante, pedimos a ajuda do Dr. Jacyntho Lins Brandão, que é professor de língua e literatura grega na UFMG.

Segundo o professor, não é possível saber a origem exata das palavras. Isso é porque tudo o que a gente sabe sobre linguagem humana depende do registro escrito de povos antigos (principalmente do Oriente Médio). Mas quando surgiu a escrita, muito provavelmente a oralidade já estava em um estágio avançado. O Dr. Jacyntho explica que “a língua mais velha de que se tem registro é o Sumério, da região da Mesopotâmia (atual Iraque), usada mais de 3000 anos antes de Cristo. Também há o Egípcio (usado por volta de 3000 a.C) e a língua que se falava na China por volta de 2000 a.C.”. E como eles escreviam? “Os egípcios e os sumérios gravavam suas letras em pedra, e os chineses, em cascos de tartaruga”, conta o professor. Algo muito curioso nisso tudo: apesar de serem muito antigas e terem existido em lugares não muito distantes, essas línguas não pertencem a uma mesma família!

Isso complica um pouco a situação. Mas há uma pequena luz no fim do túnel: “Se o homem tem uma origem comum (tudo leva a crer que esteja na áfrica), faz sentido pensar que as línguas também tenham uma origem comum”. Mas tudo indica que essa “primeira língua” vai permanecer no escuro. “O que é possível saber sobre essa primeira língua são apenas características muito gerais, comuns a todas as outras, como a sua função social para a comunicação e como forma de o Homem se relacionar com o mundo e classificar as coisas”, explica o professor.

Mas talvez você esteja se perguntando, “legal, mas como é que as palavras realmente apareceram?”, bom, o Dr. Jacyntho diz que isso possivelmente aconteceu do mesmo jeito que com as crianças: experimentando sons. E conclui: “a palavra aparece quando se associa um som com um significado, daí surge a linguagem”.

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